terça-feira, 13 de março de 2012

«O Ladrão e o Querubim» e a, recentemente premiada, capela Árvore da Vida


brevemente nas livrarias

O Ladrão e o Querubim 


drama litúrgico cristão oriental

tradução e posfácio de 
Joaquim Félix de Carvalho
introdução de 
Carlos Nuno Vaz

A Cruz é o ícone máximo do perdão. É essa a teologia de O Ladrão e o Querubim.

Carlos Nuno Vaz


O Ladrão e o Querubim foi traduzido para português porque existe a capela Árvore da Vida. Desde 11 de Setembro de 2011, ficámos mais ricos com a boa notícia da «Capela encantada de Braga», assim intitulada pelo jornalista António Marujo. Ocorria o décimo aniversário dos atentados contra as Twin Towers do World Trade Center, em New Yorque. Reviam-se, sem conta, as imagens do horror. Homenagens e leituras políticas colhiam o interesse universal. Quem esperaria o anúncio da edificação de uma capela, na outra margem do Atlântico, em Braga, Portugal? Talvez um resto, animado pela esperança vigilante do profeta Jeremias, que, antes de fixar os olhos «n’uma panela a ferver» — as ameaças campeiam por todo o lado — vislumbra «um ramo de amendoeira». Deus disse-lhe: «Viste bem». Porque viu a ‘Primavera’, embora fosse ainda ‘Inverno’.
Joaquim Félix de Carvalho



                                             Fotografia de Asbjörn Andresen

«Capela Árvore da Vida vence prémio ArchDaily 2011 para 
edifício religioso com a melhor arquitetura

A capela Árvore da Vida, localizada no interior do Seminário Conciliar de S. Pedro e S. Paulo, em Braga, venceu o prémio ArchDaily 2011 para o edifício religioso com a melhor arquitetura.
Os leitores do site que reivindica o estatuto de mais visitado na especialidade deram o primeiro lugar à capela projetada pela empresa Cerejeira Fontes Arquitetos e concluída em 2011.
Entre os cinco finalistas estava o complexo paroquial do Estoril, concelho de Cascais (Roseta Vaz Monteiro Arquitetos) e a capela de Santa Ana, Sousanil, no concelho de Santa Maria da Feira (Gabinete e|348).
O padre Joaquim Félix, vice-reitor do Seminário Conciliar de Braga e professor da Faculdade de Teologia, explicou que a capela Árvore da Vida surgiu da vontade de «aprofundar a coerência entre aquilo que se ensinava e a expressão litúrgica praticada».
[...]»

Mais informação no site do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, de onde retiramos, com a devida vénia, este excerto.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Asma Barlas - Leituras erradas do Alcorão é que permitem opressão da mulher

                                                Foto Enric Vives-Rubio / Público

Investigadora e teóloga muçulmana, Asma Barlas diz que terão que ser as mulheres a libertar-se da opressão que ainda vivem no islão — uma realidade construída com base em leituras erradas e parciais do Alcorão.
Asma Barlas dirige actualmente o Centro de Estudos de Cultura, Raça e Etnicidade no Ithaca Colege, em Nova Iorque, e em 2008 dirigiu a cátedra Spinoza na Universidade de Amesterdão.
Entre os vários livros e as dezenas de textos de que é autora está «Believing Women» in Islam: Unreading Patriarchal Interpretations of the Qur’an. Os seus temas de eleição actuais são o lugar da mulher no islão, a hermenêutica do Alcorão e a relação do Ocidente com os muçulmanos.
A investigadora critica o que considera a exegese patriarcal do Alcorão e defende que as caricaturas de Maomé não tinham ironia nem eram divertidas, porque se limitavam a dizer o óbvio: o desprezo do Ocidente pelo islão.


Carlos Gil Arbiol - Igreja deve dar à mulher protagonismo que até agora lhe negou

                                                                                                                   Foto Público

A Bíblia tem que ser lida como contributo das ciências sociais, diz Carlos Gil Arbiol, biblista que recorre à antropologia cultural para entender o cristianismo da primeira geração. O que o leva a dizer que São Paulo se opunha ao culto ao imperador e que chegará o momento em que as mulheres recuperarão o papel de liderança que tiveram nas comunidades organizadas por Paulo.
Frade capuchinho, professor na Universidade de Deusto, no País Basco (Espanha), Carlos Gil Arbiol especializou-se na área da Bíblia e antropologia cultural dos primeiros tempos do cristianismo.
Autor de vários livros e artigos em revistas da especialidade (entre os quais, um sobre as comunidades instituídas por São Paulo, no n.º 1/2008 da revista Didaskalia, da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa), Arbiol nasceu em Tudela (Navarra), em 1970. Depois de licenciado em Teologia Bíblica, fez o doutoramento no Studium Biblicum Franciscanum e na École Biblique et Arquélogique Française (ambos em Jerusalém) e, ainda, na Universidade de St. Andrews, da Escócia. A sua tese versa o tema «A auto-estigmatização no movimento de Jesus. Ensaio de exegese sócio-científica». É autor de vários livros e artigos sobre o cristianismo das origens.



terça-feira, 6 de março de 2012

Josep M. Soler - Deus ama todas as pessoas, incluindo os homossexuais


A imagem de condenação dos homossexuais por parte da Igreja não corresponde à verdade, diz o padre Josep Soler, abade do mosteiro de Montserrat (Espanha). Em 2025, a abadia, que recebe dois milhões e duzentas mil pessoas por ano, completará um milénio sobre a sua criação. Soler é conhecido pelas suas intervenções públicas, algumas das quais marcam auditórios heterogéneos, como foi o caso, em 2004, do Parlamento das Religiões do Mundo, que decorreu em Barcelona.
Antes da realização desta iniciativa, o abade de Montserrat acolhera no seu mosteiro, a 60 quilómetros de Barcelona, uma assembleia de 500 líderes de várias religiões. No final destas iniciativas, Josep Soler diz que o diálogo inter-religioso pode ajudar a aprofundar a própria fé de cada um e afirma que os mosteiros têm um contributo a dar ao mundo contemporâneo.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Alessandro Zanottelli - Uma Igreja empenhada contra o armamento

                                            Foto Miguel Madeira / Público

Foi forçado a sair de Itália depois de pressões dos partidos e do Governo sobre os responsáveis da Igreja Católica. A imprensa italiana falava dele como o missionário «mais incómodo» de Itália.
Diz que o planeta está entre a vida e a morte, por causa das armas, da fome e do estilo de vida ocidental. Ou nos salvamos todos ou morreremos todos, alerta.
Alessandro Zanotelli, nascido em Agosto de 1938, em Livo (Itália), foi director da revista Nigrizia, dos Missionários Combonianos de Itália, entre 1978 e 1987, cargo que teve que abandonar por pressão do Governo italiano e do Vaticano. Defende uma Igreja Católica mais empenhada na não-violência activa, retornando aos primeiros séculos do cristianismo, em que os cristãos eram colocados perante o dilema: ou o Exército ou o baptismo.
Depois de empurrado para fora de Itália, o padre Zanotelli viveu 12 anos em Korogocho, nome que na língua kikuyo quer dizer confusão, babilónia, e designa um enorme bairro de lata de Nairobi (Quénia). Apesar da miséria, da sida e do subdesenvolvimento, diz que África ainda acredita que a vida pode vencer todos os obstáculos, não obstante os enormes problemas.


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Feisal Abdul Rauf - É um perigo falar em «choque de civilizações»

                                                                                       Foto Enric Vives-Rubio / Público

A mesquita do xeque Feisal Abdul Rauf estava perto das Torres Gémeas quando estas foram atacadas. Após os atentados, muitas pessoas perguntaram-lhe o que poderiam fazer para melhorar o conhecimento entre islão e Ocidente. A pergunta deu origem à Iniciativa Córdova, da qual é o impulsionador.
Feisal Abdul Rauf, nascido em 1948, é um muçulmano sufi, que desde 1983 tem a responsabilidade da mesquita Masjid al-Farah, em Nova Iorque, localizada na zona doWorld Trade Center.
Preocupado com o diálogo entre o islão e o Ocidente, Abdul Rauf é autor de vários livros sobre a fé muçulmana no mundo contemporâneo, entre os quais What’s Right with Islam Is What’s Right with America (O que está certo com o islão está certo com a América). Em 2010, Rauf esteve envolvido na polémica sobre a construção de um centro cultural islâmico na zona do Ground Zero, em Nova Iorque, iniciativa que ele propôs como forma de ajudar a construir o diálogo inter-religioso.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Gianni Vattimo - O meu problema de cristão é que a Igreja me escandaliza

                                                                                                                Foto Público

Comunista, marxista, católico, homossexual. O filósofo italiano Gianni Vattimo diz que é possível o encontro entre o niilismo de Nietzsche e o cristianismo. Mas afirma que a Igreja lhe cria vários obstáculos à fé.
Nascido em Turim em 4 de Janeiro de 1936, Gianteresio (Gianni) Vattimo doutorou-se em Filosofia, tem trabalhado a questão do retorno ao religioso e o pensamento de Nietzsche. Leccionou desde 1964 na Universidade de Turim e foi também professor convidado em várias universidades dos Estados Unidos. Foi deputado ao Parlamento Europeu entre 1999 e 2004 e exerce de novo o cargo na actual legislatura (2009-14).
Em português, há vários livros seus publicados precisamente sobre estes temas, incluindo Acreditar em Acreditar (ed. Relógio d’Água) e O Futuro da Religião (em diálogo com Richard Rorty, ed. Angelus Novus). Em 2006, publicou Non Essere Dio, uma autobiografia contada em diálogo com Piergiorgio Paterlini.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Juan José Tamayo - A Igreja tem que ser o mais democrática possível

                        Foto: Miguel Madeira / Público

A atitude inflexível da Igreja provoca uma ruptura, um choque e um corte de pontes dentro da Igreja  Católica, diz o teólogo espanhol Juan José Tamayo. Defendendo a necessidade de uma maior democratização da Igreja, Tamayo diz que «os cardeais não são de instituição divina, a comunidade cristã, sim». E pergunta: «Porque só eles podem eleger o Papa e se exclui a comunidade cristã?»
Nascido em 7 de Outubro de 1946, em Palência, doutorado em Teologia em Salamanca e professor de várias universidades, Tamayo é membro destacado da Associação de Teólogos João XXIII.
Autor de duas dezenas de livros, é colaborador regular de vários jornais, entre os quais o El País.
Casado, pai de dois filhos, Tamayo viu algumas das suas teses condenadas pelo Vaticano. Mas o teólogo diz que a Cúria Romana leu mal o que ele escreveu… Entre os seus títulos, Juan José Tamayo publicou Hacia la Comunidad, obra em seis volumes, Adiós a la Cristiandad e Nuevo Paradigma Teológico (ed. Trotta), que levantou alguma polémica.
Nesta última obra, defende o adeus à teologia dogmática. «Estamos no fim de um ciclo teológico, marcado pela teologia fundada em dogmas; a proposta é um novo paradigma teológico, no qual o primeiro desafio é o da interculturalidade, uma teologia que não se sustente em categorias ocidentais», diz, a propósito da sua obra. «O segundo é o do horizonte inter-religioso: não se pode fazer teologia como se vivêssemos em tempos de uma religião única; as manifestações de Deus na história são plurais: Deus não se manifestou apenas através de Cristo, mas através de outros mediadores e fundadores religiosos, e através de outras manifestações». Teses que lhe valeram críticas do Vaticano.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Jacques Arnould - Se Deus queria criar outros mundos habitados, quem o pode impedir?

                                                                                     Foto: Gonçalo Português / Público

Padre dominicano, o francês Jacques Arnould trabalha desde 2001 no Centro Nacional de Estudos Espaciais. Diz que é preciso que as religiões não tenham medo da ciência mas que mantenham o espírito crítico para com o trabalho científico. E não tem dúvidas em dizer que nunca se demonstrará se Deus existe ou não.
Voltar a misturar teologia e ciência seria «um erro grave», afirma Jacques Arnould, nascido em 1961. Com formação em Engenharia Agrícola e doutorado em História das Ciências e Teologia, é membro da Ordem dos Pregadores (frades dominicanos). Arnould fala aqui sobre a teologia depois de Darwin, o criacionismo e o intelligent design.
Refere-se ao encontro do Papa com os antigos alunos (cujas actas estão publicadas em Criação e Evolução, ed. Univ. Católica), visto por alguns como uma tentativa de reabilitar o criacionismo. Autor de várias obras, tem publicado em Portugal A Teologia Depois de Darwin (ed. Piaget).


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

René Samuel Sirat - Há risco de choque de civilizações, se não se tomar a sério a necessidade de diálogo

                                   Foto Enric Vives-Rubio / Público



Uma espécie de G-8 de líderes religiosos poderia ajudar a resolver problemas como a fome nomundo, a penúria de água ou o emprego para todos. René Samuel Sirat, vice-presidente da Conferência dos Rabinos Europeus, diz que o diálogo inter-religioso tem ainda muito caminho para fazer.
Nascido na Argélia em 1930, René Samuel Sirat desempenhou já o cargo de rabi-chefe de França, entre 1981 e 1987, estando envolvido em várias estruturas internacionais do judaísmo e do diálogo inter-religioso.
René Sirat esteve já várias vezes em Portugal — em 2000, participou no encontro internacional da Comunidade de Santo Egídio, em Lisboa, e em 2008 interveio no colóquio da Comissão da Liberdade Religiosa. A sua preocupação é alertar para o risco do choque de civilizações, se o diálogo entre culturas e religiões não for levado a sério.